CABARET DOS BICHOS (presencial)

(Crédito: Ronaldo Gutierrez)

ADAPTAÇÃO MUSICAL DO ROMANCE DE GEORGE ORWELL ESTREIA DIA 23 DE MAIO NO TEATRO DO NÚCLEO EXPERIMENTAL
Com dramaturgia, letras e direção de Zé Henrique de Paula e música original e direção musical de Fernanda Maia, a linguagem utilizada se inspira nos cabarés alemães, fortemente referenciados em Bertolt Brecht e Kurt Weil


A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, se passa numa granja liderada, inicialmente, pelo Sr. Jones. Porém, insatisfeitos com a dominação, os animais decidem fazer uma revolução. Eles se organizam e expulsam o Sr. Jones da granja, pois não aceitam mais ser tratados como escravos dos humanos. Os porcos passam a liderar a granja, considerando-se os animais mais inteligentes. Um dos maiores escritores do século, Orwell faz um duro retrato sobre o relacionamento do poder com o indivíduo e da sociedade e seus processos.

Na adaptação do Núcleo Experimental, dirigida por Zé Henrique de Paula, com músicas originais de Fernanda Maia, a fábula de Orwell é transformada num musical e a linguagem utilizada se inspira nos cabarés alemães, fortemente referenciados em Bertolt Brecht e Kurt Weil. 

“A Revolução dos Bichos” é uma fábula sobre o poder. Escrito em plena  Segunda Guerra Mundial, o romance é uma alegoria sobre a ambição e a fraqueza humanas, que acabam por sabotar qualquer projeto político mais justo e igualitário. Setenta e cinco anos após sua publicação, surge novamente nas prateleiras das livrarias como um best-seller, diante da ascensão das ditaduras ao redor do mundo. 

Esta obra é adotada por escolas públicas e privadas há algumas décadas e faz parte do estudo das áreas de Linguagens, História e Filosofia. Permite compreender conceitos como cidadania, democracia, participação política, além de fornecer um rico estudo sobre o contexto histórico do período que engloba as duas Grandes Guerras mundiais do século XX, além, obviamente, do atual contexto sócio-político, cheio de ecos e ressonâncias com a narrativa de Orwell (surgimento de ditaduras, repressão política e policial, a força da mídia e das fake news, entre outros temas). Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens.

Uma curiosidade que prova que Orwell continua em alta mesmo: uma lista, feita pela Nielsen Bookscan (plataforma de dados para o setor de publicação de livros) a pedido do jornal Estadão, mostrou que “A Revolução dos Bichos” e “1984” são as únicas obras de ficção que aparecem entre os 15 livros mais vendidos na quarentena entre 23 de março e 12 de julho de 2020.

A vida é dura para os animais da Fazenda do Solar. Dia após dia, faça chuva ou faça sol, o trabalho é incessante. Sobre o lombo, o chicote. Sob as patas, a humilhação. Até o instante em que esses animais, liderados pelos porcos Napoleão e Bola de Neve e sob a tutela filosófica do velho porco Major, organizam-se num motim para expulsar seus algozes de duas pernas – o Sr. Jones e seus empregados humanos. Major acreditava que todos os animais deveriam ser livres e trabalhar de acordo com a capacidade de cada um, sem alguém para ditar o quanto eles deveriam se sacrificar ou mesmo comer, e foi assim que ele começou a infundir pensamentos revolucionários na Granja do Solar. 

No lugar do jugo humano, instaura-se uma comunidade de bichos baseada sobretudo na igualdade. Caberá aos animais, dentro de suas limitações, entender o que tal “igualdade” significa. Após um tempo, a Granja dos Bichos se torna uma república e Napoleão, único candidato ao cargo, é eleito. A partir daí, os porcos exploram ainda mais os animais e, incrivelmente, seus rostos são cada vez mais parecidos fisicamente com os humanos. Já a conduta, essa passou a ser tão humana quanto possível, com um alto grau de corrupção. “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”: a conclusão que se chega ao final é que o desejo de comunhão e liberdade é corroído pela ambição e pelo poder alcançado pelos porcos.

CONCEPÇÃO

Ao desenvolver a proposta de dramaturgia para o Cabaret dos Bichos, o adaptador e diretor Zé Henrique de Paula buscou referências tanto no formato dos cabarés berlinenses dos anos 20 e 30 do século XX, bem como nas estruturas de algumas obras de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A partir dessa premissa, a fábula de A Revolução dos Bichos ganhou uma moldura metalinguística, como se houvesse uma companhia de atores que se apresenta num cabaré e performa a obra de Orwell em formato musicado. Para criar esse ‘ensemble’, foram trazidas inúmeras referências tanto históricas quanto literárias, todas elas conectadas com a vida de Orwell de alguma maneira. 

Oito personagens habitam o espaço cênico do cabaré (decadente, com resquícios de um antigo circo) e são eles que criam os espaços ficcionais da ação da fábula: a Granja do Solar, depois rebatizada de Granja dos Bichos. O recurso do distanciamento, proporcionado pela metalinguagem, facilita sobremaneira o acesso aos conteúdos e temas, servindo como uma porta de acesso lúdica para o público juvenil, nosso principal público-alvo. A proposta de caracterização (incluindo visagismo) não pretende mimetizar animais, muito pelo contrário. A partir de elementos vindos de três fontes distintas – o cabaré, o circo e a fazenda – o figurino deverá criar uma síntese que busque mais a construção de uma personalidade e menos a mímese visual de um animal. Os atores do cabaré interpretam os animais da granja, incluindo o Mestre de Cerimônias”, conta o diretor, que completa: 

“Essa sobreposição de personagens pede, portanto, sobreposição de materiais, texturas e paletas de cores. Lembrando que as referências de circos antigos e cabarés berlinenses são o Norte principal dessas caracterizações.

O desenho de luz é elemento vital para criar dois mundos distintos dentro da proposta do espetáculo: as cenas que fazem parte da fábula Orwelliana e os números musicais dentro do cabaré. Com uso de recursos como ribalta, cordões de lâmpadas, teatro de sombras, entre outros, a iluminação irá ressaltar a teatralidade e a característica de metalinguagem presentes na encenação, criando diferentes climas e atmosferas para diferentes tipos de números tradicionais, todos herdeiros das tradições do vaudeville, do circo e do teatro de variedades”.

UM MUSICAL ORWELLIANO 

O Cabaret é um gênero intimista, feito para pequenos espaços, com canções acompanhadas por uma formação instrumental de pequeno porte. O Cabaret alemão, que serviu de inspiração para este projeto, tem forte influência da música judaica, origem de grande parte de seus compositores, mas também do jazz americano, muito difundido pelo cinema e pelo rádio, na época. 

Estes são alguns gêneros que nortearam a criação musical e que foram combinados com elementos musicais que se referem à origem do autor: George Orwell. Às referências musicais inspiradas em Kurt Weill e demais compositores que escreveram para o cabaret alemão, foram acrescidos elementos da música britânica e irlandesa, mesclando as raízes célticas com a tradição dos antigos hinos religiosos. As canções assumem funções narrativas e importante papel ao revelar desejos secretos e intenções não reveladas das personagens. 

FICHA TÉCNICA 
Elenco

Amanda Vicente – Birmânia/Bela
Bruna Guerin e Luci Salutes (alternantes) – Flip/Violeta
Daniel Cabral – Sambo/Aquiles
Dennis Pinheiro – Richard do Ópio/Napoleão
Fabiana Tolentino – Dorothy Hare/Muriel
Flávio Bregantin – Fronky/Bola de Neve
Fernando Lourenção – Ginger/Gogó
Pedro Silveira – Eric Arthur Blair/Major

Banda

Fernanda Maia (piano), Clara Bastos / Pedro Macedo (baixo), Felipe Parisi (violoncelo), Bruna Zenti / Thiago Brisolla (violino) e Priscila Brigante (bateria).

Criativos

Dramaturgia, letras e direção: Zé Henrique de Paula
Música original e direção musical: Fernanda Maia
Preparação de atores: Inês Aranha
Coreografia: Gabriel Malo
Assistente de direção (teatro): Rodrigo Caetano
Iluminação: Fran Barros
Cenografia: Cesar Costa
Figurinos: Zé Henrique de Paula
Visagismo: Louise Helene
Cabelos e maquiagem: Dhiego Durso
Assistente de figurino: Paula Martins
Direção audiovisual: Laerte Késsimos
Assistente de direção (audiovisual): Lucas Romano
Câmera: Marco Lomiller
Som: Alexandre Gomes
Coordenação de produção: Zé Henrique de Paula e Claudia Miranda
Produção executiva: Laura Sciulli

SERVIÇO 

TEMPORADA: De 23 de maio a 29 de junho de 2022
LOCAL: Teatro do Núcleo Experimental – Rua Barra Funda, 637, Barra Funda – São Paulo
DIAS e HORÁRIOS: Seg, Ter e Qua, às 21h
DURAÇÃO: 1h40 
LOTAÇÃO: 96 lugares
CLASSIFICAÇÃO: 10 anos

VENDAS (on-line): sympla.com.br
VALORES:
Até 22.06:
Plateia R$20 (inteira) + R$2,50 (taxa) | R$10 (inteira) + R$2,50 (taxa)
Mesas R$30 (inteira) + R$3 (taxa) | R$15 (inteira) + R$2,50 (taxa)

Sessões extras 27, 28 e 29.06:
Plateia R$50 (inteira) + R$5 (taxa) | R$25 (inteira) + R$2,50 (taxa)
Mesas R$30 (inteira) + R$3 (taxa) | R$15 (inteira) + R$2,50 (taxa)

OBS: Todas as sessões serão distribuídos 30 ingressos gratuitos, exceto as três últimas sessões (27, 28 e 29.06).

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