PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL

(Crédito: Priscila Prade)

MUSICAL REVISITA TRAJETÓRIA DE UMA DAS MAIORES ARTISTAS DO BRASIL!
ESPETÁCULO ESTREIA NO SESC 14 BIS E PERCORRE SEIS DÉCADAS DA CARREIRA DE ZEZÉ MOTTA, DA JUVENTURDE AO PROTAGONISMO HISTÓRICO NO CINEMA, TELEVISÃO, MÚSICA, TEATRO E NO ATIVISMO CULTURAL

Zezé Motta é uma referência central da cultura brasileira contemporânea. Mais do que atriz e cantora, é uma artista que ajudou a abrir caminhos e a ampliar possibilidades de existência para mulheres negras nas artes do país. Sua trajetória foi construída em diálogo permanente com seu tempo, enfrentando limites impostos pelo mercado e pelo imaginário social; transformando presença em linguagem; voz em afirmação e corpo em cena. Essa história ganha forma em “PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL”, uma produção da Gávea Filmes que estreia em 20 de março no Teatro Raul Cortez, Sesc 14 Bis, em São Paulo, e fica em cartaz de quinta a domingo, até o dia 21 de abril de 2026.

O ponto de partida foi pensar que a trajetória da Zezé não cabe em um retrato confortável. A história dela é a de uma artista que precisou disputar cada espaço em um país que sempre naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares de protagonismo. O musical nasce deste embate entre desejo, talento e estruturas que tentam limitar quem pode ocupar o centro da cena”, afirma a diretora artística Débora Dubois.

A montagem percorre seis décadas de atuação pública e criação artística. Da juventude em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, à formação no Teatro Escola Tablado. Do impacto de “Roda Viva”, sob direção de Zé Celso, à projeção nacional com “Xica da Silva”, no cinema de Cacá Diegues. Da consagração popular como cantora e atriz à construção de uma identidade que nunca se moldou ao olhar alheio. Não se trata de uma narrativa linear. O texto articula episódios, embates, conquistas, quedas e retomadas, compondo o retrato de uma mulher que precisou abrir espaço onde não havia lugar garantido.

O elenco reúne 11 intérpretes, acompanhados por uma banda de oito músicos, integrando música e teatro ao vivo. Em cena, Larissa Noel interpreta Zezé Motta em diferentes fases da vida. “Desde que comecei o processo de estudo ouço palavras como: ousadia, potência, entidade, força, carisma, alegria, leveza  para definir Zezé em cena e fora dela. Os relatos são sempre muito intensos, calorosos e afetuosos, quando se fala dela e das relações que as pessoas tiveram com ela. Então, conseguir imprimir tamanha grandeza, é um desafio. Mas um desafio muito delicioso, justamente pela fluidez e alegria que ela transmite. Estar em cena representando a Zezé me estimula, faz ter vontade de viver cada vez mais fazendo arte”, afirma Larissa.

E a história de Zezé é recheada de encontros marcantes e significativos. Desde o seu namoro e amizade com Antônio Pitanga, vivido na peça por Hipólyto que também interpreta Luiz Melodia. “Estar fazendo esses dois personagens é uma honra. Dois artistas negros com muita personalidade. Foram duas pessoas muito importantes na vida da Zezé”, avalia Hipólito. Sua parceria com os diretores Augusto Boal, que a levou para Nova York, onde a artista assumiu seu cabelo afro, e com Zé Celso, vividos ambos por Adriano Tunes, também estão em cena. “Eles foram os ‘olhos’ que enxergaram o potencial da Zezé antes mesmo dela se dar conta da própria magnitude. Eles a ajudaram a transformar talento bruto em manifesto vivo. Interpretar Augusto Boal e Zé Celso no mesmo espetáculo é um exercício de esquizofrenia criativa deliciosa. São os dois pilares do nosso teatro: de um lado, a estrutura e a consciência social do Boal; do outro, a liberdade dionisíaca e a catarse do Zé”, conceitua Adriano.

Outras duas personalidades, só que dessa vez femininas, também muito marcante na vida da artista foram Marieta Severo e Marília Pera. Sua amizade com Mariela Severo, interpretada no musical por Luciana Ramanzini, vem do tempo em que moravam no mesmo prédio onde o tio de Zezé era porteiro e depois o reencontro das duas na peça “Roda Viva”“Marieta e Zezé trazem em sua amizade, uma memória afetiva que vem marcada da infância. Ambas representam trajetórias de afirmação feminina no teatro e na televisão brasileira”, diz Luciana.

Já Marília foi responsável pelo nome artístico de Zezé e  abriu várias portas para ela. “Marília foi muito amiga de Zezé e vejo que foi grande incentivadora da carreira dela. Viveram uma amizade bastante longa e sincera. E isso aparece no espetáculo”, diz Luciana Carnieli, que interpreta a atriz no espetáculo.

Toda essa história é costurada pela trilha sonora que inclui canções associadas à trajetória da protagonista e ao período histórico retratado, como “Senhora Liberdade”, “Tigresa” e “Muito Prazer, Zezé”. A direção musical é de Cláudia Elizeu, responsável por dar nova roupagem á sucessos icônicos. “O desafio foi equilibrar respeito à memória que o público já traz dessas canções com a necessidade de ressignificá-las dentro da cena. Trabalhamos timbres, respirações, silêncios e dinâmicas para que cada canção surgisse como extensão do gesto e da palavra, revelando novos sentidos sem perder sua essência”, analisa Claudia.

A direção de arte de Billy Castilho estabelece a conexão entre a linguagem teatral e as novas tecnologias, criando um backstage onde se conta a carreira e a vida  da artista Zezé Motta desde o DNA e sua africanidade  até os dias atuais onde Zezé Motta conquistou o espaço nas novas linguagens tecnológicas e continua à frente do seu tempo como a minha artista  brasileira mais completa. “Meu desafio para criar a direção de arte e a cenografia teve a parceria  criativa com a diretora Débora Dubois que foi fundamental  junto ao texto perfeito e amoroso do autor Toni Brandão. Chegamos na linguagem criativa sobre os ‘bastidores’ da vida da artista Zezé Motta. A partir daí condensei toda a linguagem em um backstage teatral, onde tudo está em cena, pensando em uma paleta de cores preto e ferrugem que envolve o teatro com ferro e tecnologia, o expectador vai ter sensação de estar dentro da coxia teatral , dialogando com a movimentação dos atores, trocas de perucas e figurinos sugerido pela direção”, explica Billy.

O figurino de Lena Santana, o desenho de luz de Wagner Pinto e a coreografia de Tainara Cerqueira e Priscila Borges reforçam a narrativa significativa da vida de Zezé. Uma mulher negra, com uma trajetória de superação e sucesso, que também representa a história da dança negra brasileira. “Zezé com seu corpo e sua expressão artística, conta a história da arte negra no Brasil, e a dança faz parte desse contexto. Ao coreografar, pensei em respeitar essa história, valorizar o elenco que tenho e, sobretudo, exaltar Zezé Motta, homenageando sua linhagem ancestral. Gosto muito da cena de Oxum, porque é nela que ela revela ao público toda a base que a sustentou até aqui”, diz Tainara.

São 60 anos de uma estrutura que nunca parou. A vida de Zezé daria um espetáculo de 18 horas. Hoje, uma mulher de quase 82 anos, com quase 1 milhão de seguidores, que aos 75 posou nua e é uma excelente influenciadora digital. O que mais me surpreende na trajetória dela é o poder de transformação, ela sempre foi capaz de seguir adiante, com pouca reclamação, sem submissão. Zezé acha o lugar de ser quem ela é sem mudar, transformando o mundo ao seu redor para ela ser que ela quer ser”, define Toni.

Com idealização e dramaturgia de Toni Brandão, direção artística de Débora Dubois e produção artística de Bianca de Felippes, “PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL” afasta-se da lógica da celebração protocolar. O espetáculo propõe um olhar crítico sobre a trajetória de uma mulher negra que construiu relevância artística em um campo cultural atravessado por desigualdades estruturais. Poder, racismo, desejo, contradição e permanência estruturam a encenação.

“PRAZER, ZEZÉ! O MUSICAL”, produção da Gávea Filmes, é realizado pelo Ministério da Cultura e Sesc São Paulo, com patrocínio do Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

E ninguém melhor para falar sobre o musical do que a homenageada Zezé Motta:

Olhar para trás e me ver ali, no palco, com a minha própria história sendo contada, é uma emoção difícil de explicar. Estou com 81 anos, viva, lúcida, trabalhando, podendo assistir à minha trajetória ganhar voz, corpo e cena… é um presente. Eu venho de um tempo em que nada foi fácil, cada passo que eu dei foi uma conquista, resistência, amor pela arte. Então me sentar na plateia e perceber que aquela menina cheia de sonhos atravessou décadas e continua aqui, pulsando, é uma sensação de vitória e gratidão profunda. É como se a vida estivesse me aplaudindo de volta.”

FICHA TÉCNICA

ELENCO

Larissa Noel como Zezé Motta
Anastácia Lia
Arthur Berges
Adriano Tunes
Fernando Rubro
Luciana Ramanzini
Luciana Carnieli
Hipólyto
Maria Antônia Ibraim
Moara Sacchi
William Sancar

BANDA

Dan Motta – Maestro/Teclado
Ana Maga – Percussão 1
César Roversi – Sax, Flauta e Clarinete
Gabi Gonzalez – Guitarra
Juliana Silva – Trompete
Karol Preta – Bateria
Priscila Borges – Percussão 2
Rafael Gomes – Contrabaixo

CRIATIVOS e PRODUÇÃO

Idealização e Dramaturgia – Toni Brandão
Direção Artística – Débora Dubois
Direção Musical – Cláudia Elizeu
Assistente de Direção Musical / Maestro: Dan Motta
Direção de Arte – Billy Castilho
Figurinos – Lena Santana
Desenho de Luz – Wagner Pinto
Coreografia / Assistente de Direção – Tainara Cerqueira e Priscila Borges
Produção de Elenco – Giselle Lima
Produção Artística – Bianca De Felippes
Engenheiro de Som – João Paulo Pereira
Design e Operador de Som – Enrico Baraldi
Consultor Audiovisual / VFX – Demétrio Portugal
Videografismo – Rodrigo Dutra
Design Gráfico – René Corini
Pesquisa de Imagens – Martina Steen
Operadora de Luz – Luiza Ventura
Redes Sociais – Gatu Filmes
Produção Local e Administração – Roberta Viana
Produção Executiva – Dani Angeloti
Coordenador de Comunicação: Eduardo Barata
Assessoria de Imprensa – Ofício das Letras (Adriana Monteiro) e Barata Comunicação (Eduardo Barata) / Dobbs Scarpa
Controller e Assistente de Produção – Gabriela Newlands
Assistente de Produção RJ – Calu Tornaghi
Assistente de Direção e Coreografia – Priscila Borges
Assistente de Arte / Cenógrafo – André Almeida
Contabilidade – Contar Contadores
Assessoria Jurídica – Roberto Silva
Produção de Elenco – Giselle Lima
Diretor de Cena – Tom Pires
Produção de Gávez Filmes
Apresentado por Bradesco Seguros
Realização de Sesc São Paulo e Ministério da Cultura

SERVIÇO

TEMPORADA: De 20 de março a 21 de abril de 2026
LOCAL: Sesc 14 Bis (Teatro Raul Cortez ) – R. Dr. Plínio Barreto, 285, 2º andar, Bela Vista, São Paulo [Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 – Verde)] | Telefone: (11) 3016-7700 
DIAS e HORÁRIOS: Qui às 15h e 20h | Sex e Sáb às 20h | Dom e feriados, às 18h
*Dia 01/04 quarta 20h
*Dia 21/04 terça 20h
*Não haverá sessão em 03 de abril

*Sessões com tradução em Libras: 9 a 12/04, quinta 15h e 20h, sexta e sábado 20h, domingo 18hSessões com audiodescrição:  11/04, 20h; 12/04, 18h
DURAÇÃO: 120 minutos (sem intervalo)
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos
INSTAGRAM: @prazerzezeomusical

VENDAS (on-line): No aplicativo Credencial Plena e no site sescsp/prazer-zeze/
VALORES:
R$ 70 (inteira)
R$ 35 (meia-entrada)
R$ 21 (credencial plena do Sesc)

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